sexta-feira, agosto 19, 2005

Jhonny vai para a guerra 3

Vejamos a decência. Todo mundo disse que a América fazia uma luta pelo triunfo da decência. Mas a idéia de decência de quem? E decência para quem? Explique-se e diga-nos o que é decência. Diga-nos o quanto melhor se sente um homem decente morto de um homem indecente vivo. Faça uma comparação e use fatos como casas e mesas. Faça isso com palavras que possamos entender. E não nos venha falar em honra. A honra de um chinês ou de um inglês ou de um negro africano ou a de uma americano ou de um mexicano? Por favor, todos vocês sujeitos que querem que a gente lute pela preservação de nossa honra, digam-nos que diabo de coisa é a honra. É a honra americana para o mundo todo por que lutamos? Talvez o mundo não goste disso. Talvez os nativos das ilhas do sul prefiram a honra deles.

Pelo amor de Deus, dêem-nos coisas pelas quais lutar, que possamos ver, sentir, agarrar e compreender. Não mais palavras empoladas que nada significam como a pátria. Terra natal, terra pátria, lar, solo pátrio. É tudo a mesma coisa. Que adianta a terra natal da gente depois que a gente morre? Pagou-se por algo que nunca se vai receber.

E quando não puderam fisgar os homens para lutar pela liberdade, pela democracia, pela decência e pela honra, apelaram para as mulheres. Olhem só esses Alemães imundos, dizem eles, olhem só como estupraram as belas moças francesas ou belgas. Alguém tem que impedir todo esse estupro. Vamos, rapazes, alistem-se no exército e salvem as belas jovens francesas ou belgas. Assim, o sujeitinho ficava confuso e se alistava e dentro em pouco, uma granada o atingia e a vida se esvaía dele em polpa de carne vermelha e ele estava morto. Morto por uma palavra e todas a virulentas velhas da D.A.R. ( associação cívica de mulheres norte-americanas ) iam ficar roucas de tanto gritar em cima da cova dele pois havia morrido pelas mulheres.

Bem, talvez um sujeito arriscasse a vida se suas mulheres estivessem sendo estrupadas. Mas ao fazer isto, ora, estaria apenas cumprindo um contrato. Apenas dizendo que, de acordo com as idéias dele, a segurança das mulheres valia mais do que a sua própria vida. Mas nada há de especialmente nobre ou heróico a respeito disso. Era um negócio direto: a vida dele por algo que prezava mais. Era mais ou menos como qualquer outro negócio que um homem pudesse fazer. Mas quando a gente passa de nossas mulheres para todas as mulheres do mundo, então a gente começa a defender as mulheres por atacado. Para fazer isso, precisa-se lutar por atacado. E, chegando aí, a gente está outra vez lutando por uma palavra.

Quando os exércitos começam a se movimentar e as bandeiras a acenar e os refrões a espocar, cuidado sujeitinho, porque estão pisando nos calos dos outros e não nos seus. Você está lutando por palavras e não está fazendo um negócio honesto, nem trocando a vida por alguma coisa melhor. Está sendo nobre e, depois que morrer, a coisa por que trocou a vida de nada lhe adiantará e o mais certo é que não adiante para ninguém mais.

Fim das opinioes politicas alternatrivas.
To lendo 1984 do Orwell, refeltir sobre política e sociedade tá foda! :/

Nenhum comentário: