... Pensou: aqui está você Joe Bonham, jogado como um pedaço de carne durante todo o resto da vida e para quê? Alguém batera no seu ombro e dissera, venha, meu filho, vamos para a guerra. E lá fora você. Mas para quê? Em qualquer outro negócio, mesmo na compra de um carro ou no desempenho de uma tarefa, a gente tem o direito de perguntar que é que eu lucro com isso? De outra forma a gente compra maus carros por muito dinheiro ou trabalha para tolos e morre de fome. É uma espécie de dever que a gente tem para si próprio de quando alguém diz, venha, meu filho, faça isso ou aquilo, a gente deve ficar firme e dizer, olhe aqui, senhor, porque devo fazer isso, para quem faço e o que eu vou receber no fim? Mas quando um sujeito aparece e diz, venha comigo e arrique a vida e talvez morra ou fique aleijado, ora então a gente não tem direitos. A gente não tem nem direito de dizer sim ou não ou vou pensar. Há uma porção de leis para proteger o dinheiro da gente mesmo durante a guerra, mas não há lei alguma dizendo que a vida de um homem lhe pertence.
Naturalmente que muitos sujeitos ficam com vergonha. Alguém diz, vamos embora lutar pela liberdade e assim eles vão e morrem sem sequer pensar uma só vez na liberdade. Afinal de contas, por que tipo de liberdade lutavam? Quanta liberdade? E a liberdade de quem? Lutavam pela liberdade de comer de graça sorvete com casquinha ou de roubar quem bem entendessem e quando quisessem ou o quê? A gente diz a um homem que ele não deve roubar e tira dele um pouco de sua liberdade. É preciso. Afinal de contas, que quer dizer Liberdade? Apenas uma palavra como casa ou mesa ou outra qualquer. Ma um tipo espedcial de palavra. Um sujeito diz casa e pode apontar para uma casa provando isso. No entanto, um sujeito diz vamos lutar pela liberdade e não pode mostrar a liberdade. Não pode provar aquilo que está dizendo e, ora bolas, como é que tem o direito de mandar a gente lutar por isso?
Não senhor, aquele que partiu e se meteu numa trincheira, nas linhas de frente para lutar pela liberdade foi um idiota completo e o sujeito que o mandou para lá não passa de um mentiroso. Na próxima vez que alguém viesse para ele cheio de palavrório a respeito de liberdade ... que é que queria dizer com próxima vez? Não haveria próxima vez para ele. Mas ao diabo com isso. Se houvesse próxima vez e alguém dissesse, vamos lutar pela liberdade, ele diria olha aqui, senhor, minha vida é importante. Não sou bobo e quando troco minha vida pela liberdade, preciso saber com antecedência o que é liberdade e falamos da idéia de liberdade de quem e exatamente quanto dessa liberdade vamos ter. E mais ainda , já que o senhor está tão interessado nessa liberdade, quanto deseja que eu esteja? E liberdade demais talvez seja tão ruim quanto liberdade de menos e acho que o senhor não passa de um grandecíssimo mentiroso que não sabe o que diz e já decidi que gosta da liberdade que eu tenho aqui mesmo, a liberdade de andar, ver, ouvir, falar, comer e dormir com minha namorada. Acho que gosto mais dessa liberdade do que de lutar por uma porção de coisas que jamais terei para terminar sem liberdade alguma. Terminar morto e apodrecendo antes que minha vida tenha sequer começado ou terminar como um pedaço de carne. Obrigado, senhor. Lute o senhor mesmo pela liberdade. A mim, essa daí não importa.
Continua...
Opiniões políticas alternativas...
sábado, agosto 13, 2005
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Um comentário:
Não, eu não escrevi isso!
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